‎"[...] E tu serás o adjetivo dessas orações opacas (...). E ser isso é o principal, porque o adjetivo é a alma do idioma, a sua porção idealista e metafísica. O substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo do vocabulário." #teoriadomedalhao #machado

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Falando sobre o filme "Dorian Gray".

Assisti, na semana passada, ao filme "Dorian Gray", que é baseado no livro "O Retrato de Dorian Gray", do escritor Oscar Wilde. Desde que li o livro, em janeiro, fiquei imensamente curiosa pela película, lançada em 2009. Segundo a descrição do livro, no site de "Clássicos Abril Coleções, "a história de Dorian Gray, que se mantém jovem e belo enquanto seu retrato envelhece, é uma magistral crítica e discussão sobre a arte, a vida e a moral".

Dorian do filme é interpretado pelo Ben Barnes.



O ator, pra quem não conhece, fez o papel do príncipe Caspian, em Crônicas de Nárnia. Não o conhecia, de fato, mas acredito que ele conseguiu passar doçura e inocência, qualidades do jovem Dorian no início da narrativa, mesclados com agressividade e sensualidade, da fase "pós - Harry" do personagem. 


Quanto ao filme em si, gostei muito. É sempre bom deixar claro que a transformação de uma narrativa literária para o cinema sempre sofre mudanças, e tolo seria o leitor que esperasse fidelidade no novo gênero. Adorei o livro, dentro de suas particularidades de clássico, e considero o filme bem interessante, mantendo a atmosfera dramática, a essência dos personagens, certa fidelidade na cronologia original do livro. Além disso, acho que a essa nova versão da segunda vida de Dorian foi bastante significativa, assim como o acerto de contas entre o personagem e Harry, o que diferem do livro.

Fiquei feliz, inclusive, por essa minha postura ao final: ver uma adaptação/ versão, e não me ater ao enredo original do livro, e sim me deixar levar pela narrativa cinematográfica. Prefiro a narrativa de Wilde, claro, mas acho que ver o filme me trouxeram alguns questionamentos interpretativos do próprio texto literário. Fiquei empolgada, e ideias de trabalhos comparativos surgiram... :)

Li alguns comentários da internet que afirmam que o filme seria exagerado de cenas de sexo, mas percebi que foi uma forma de evidenciar a vida tórrida e intensa de Dorian. Outros comentários seriam sobre o "surrealismo dos cenários", o que considerei como atmosfera dramática comum da narrativa. Enfim, como dito antes, considero positivo o resultado dessa adaptação, desde que se observe que livro e filme são gêneros diferentes, interpretações diferentes de um mesmo tema. 

Ficou curioso (a)? Assista ao trailer: